quinta-feira, 21 de junho de 2007

Nacionalismo Cultural


Como explicar que uma nação que edificou e construiu toda uma civilização urbana nos séculos de vida colonial, incomparavelmente mais pujante e mais brilhante do que aquilo que se verificou na América do Norte, por exemplo. A questão que se põe entender por que eles, tão pobres e atrasados, rezando em suas igrejas de tábua, sem destaque em qualquer área de criatividade cultural, ascenderam plenamente à civilização industrial, enquanto nós mergulhávamos no atraso?

As causas desse descompasso devem ser buscadas em outras áreas. O efetivo fator causal do atraso, é o modo de ordenação da sociedade, estruturada contra os interesses da população, sangrada para servir a desígnios alheios e opostos aos seus. Não há, aqui um povo livre, regendo seu destino na busca de sua própria prosperidade. O que há é uma massa de trabalhadores explorada, humilhada e ofendida por uma minoria dominante, espantosamente eficaz na formulação e manutenção de seu próprio projeto de prosperidade, sempre pronta a esmagar qualquer ameaça de reforma da ordem social vigente.

O Brasil vem sofrendo gradualmente a perda de suas raízes culturais, implicando no empobrecimento tanto material como espiritual do povo. Caso ilustrativo é o consumo de refrigerantes d'uma multinacional ao invés de um nacional, o país fica mais pobre e dependente, pois a demanda pelo produto extrangeiro acarreta no desequilibrio das contas externas, já no caso, comprando-se um refrigerante de guaraná estará incentivando a cultura dessa planta, consequentemente mais emprego aos brasileiros, e o fluxo de moeda fica no país possibilitando novos investimentos internos. Como hoje os bens de consumo são a ancora das economias modernas o consumo desenfreado de produtos importados e de multinacionais, inibem o desenvolvimento autônomo do país e cria-se ainda uma aculturação de modo que a população passe a consumir artigos dos países centros, ampliando dessa forma o mercado das multinacionais. Chegou-se ao cúmulo de se formar uma falsa imagem de que tudo que é de fora é bom, e chegou-se a isso destruindo nossa cultura, uma vez que inexiste estima nacional.

somos uma civilização nova, uma nova Roma. Uma Roma tardia e tropical. O Brasil é já a maior das nações neolatinas, pela magnitude populacional, e começa a sê-lo também por sua criatividade artística e cultural. Precisa agora sê-lo no domínio da tecnologia da futura civilização, para se fazer uma potência econômica, de progresso auto-sustentado. Estamos nos construindo na luta para florescer amanhã como uma nova civilização, mestiça e tropical, orgulhosa de si mesma. Mais alegre, porque mais sofrida. Melhor, porque incorpora em si mais humanidades. Assentada na mais bela e luminosa província da Terra.

Perpetuemos aquilo que o Brasil tem de melhor: nossa gente e sua procura permanente de congraçamento, de encontro, da troca daquilo que é afável, aquela vontade de contemplar o outro, a nossa terra, significado de grandeza que cada lição de Brasil inspira. Pois a aquisição duma alma coletiva solidamente constituída marca num povo o apogeu da sua grandeza; a dissociação dessa alma indica sempre a hora da sua decadência. E a intervenção de elementos estrangeiros constituem um dos meios mais seguros para se chegar a essa dissociação. Os pólos urbanos que deveriam ser irradiadores da cultura brasileira, propagam a anti-cultura, débil e decadente, conscrita numa leva de aculturados a servirem de massa de manobra, aptos a consumirem produtos das multinacionais, tal qual ocorria a 500 anos atrás com as quinquilharias dadas aos índios em troca da delapidação de suas terras.

Um comentário:

Mariano Anime Blog disse...

muito bom amigo Breno, parabéns pela iniciativa de fazer um blog, tomara que dê tudo certo por aí, abração rapaz, e quando for postar mais coisas, é so me procurar aqui, saudações nacionalistas, e até mais.